sábado, 23 de novembro de 2013

Pedagogia da Autonomia




PEDAGOGIA DA AUTONOMIA (2013): PAULO FREIRE



Paulo Freire
Paulo Freire (1921-1997) nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Concluiu o curso primário em Jaboatão. Iniciou o curso ginasial no Colégio 14 de julho, no centro do Recife, no bairro de São José. Sem condições de continuar pagando a escola, sua mãe pede ajuda ao diretor de Colégio Oswaldo Cruz, que lhe concedeu matrícula gratuita e o transformou em auxiliar de disciplina, em seguida em professor de língua portuguesa. Em 1943 iniciou o curso na Faculdade de Direito do Recife. Em 1944 casa-se com Elza Maria Costa de Oliveira, professora primária. Depois de formado continuou como professor de português no Colégio Oswaldo Cruz e de Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco. Participou do movimento de Cultura Popular, organizado por Germano Coelho, Norma Coelho e Anita Paes Barreto, durante a administração de Miguel Arraes de Alencar. Desenvolveu o "Método Paulo Freire", que se tornou famoso em diversos países. Paulo Freire foi convidado para trabalhar no Ministério da Educação, pelo então ministro Paulo de Tarso, no Governo João Goulart. Fez parte também do Conselho Estadual de Educação, no Governo Miguel Arraes. Com o golpe de 1964, o método foi proibido e Paulo Freire teve seu mandato cassado. Foi exilado para a Bolívia e em seguida para o Chile. Foi depois para os Estado Unidos e para a Europa. Dedicou toda sua vida às atividades pedagógicas como escritor e professor da UNICAMP. Foi conferencista em diversas universidades e eventos educacionais. Militou no Partido dos Trabalhadores. Foi Secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina. Após a morte de sua primeira esposa, casa-se com Ana Maria, uma ex-aluna do Colégio Oswaldo Cruz. Paulo Freire morreu em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997. Suas principais obras foram: Pedagogia do Oprimido, A importância do ato de ler, Educação e Mudança, Educação como Prática da Liberdade, Pedagogia da Esperança e Pedagogia da Autonomia.


Pedagogia da Autonomia

Pedagogia da Autonomia é o livro de Paulo Freire que explora e expõe os saberes necessários à prática educativa. Apresenta de forma clara e com linguagem sucinta, uma visão reflexiva da prática docente, do ensinar e da construção do conhecimento. Elucida a importância do reconhecimento da relação discência-docência, pois, para ele, não existe professor sem o aluno e vice-versa. Ensinar deve ir de encontro a simples transmissão de informações, de forma hierárquica e passiva. A construção do conhecimento ocorre em sala de aula e o professor tem o papel de facilitador, possibilitando a produção desse.


Deve-se considerar o senso comum e o conhecimento prévio dos alunos, ativando a curiosidade e a formação do conhecimento científico. Ou seja, a função do professor é instigar a inquietação e a cientificidade do aluno, estimulando o deslocamento do estudante de seu “status quo”.

Paulo Freire também ressalta a indispensável atitude ética do educador, acreditando e produzindo de acordo com seus reais valores. Sua prática não pode ser distanciada de seus princípios. Deixa claro, também, que a aprendizagem vem atrelada ao exemplo e o professor ocupa esse papel de referência.

Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação. Freire deixa claro na necessidade de superação do preconceito e da assimilação dos velhos conhecimentos com os novos, com os que podem ser criados e é imprescindível a compreensão do que está sendo comunicado.

“A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer.” É tarefa docente tornar propícias condições para que os educandos possam se assumir, isso é bem ressaltado na prática educativa-crítica. Isso resultará em um indivíduo capaz de ser social e historicamente transformador e criativo.

A idéia de ensinar não significa apenas a simples transmissão de conhecimentos, mas “criar possibilidades ao aluno para sua própria construção.” Trata-se então do primeiro saber necessário para a formação docente, numa perspectiva progressista.

Ensinar envolve estar consciente do inacabamento, isso significa que o professor crítico deve ser predisposto a mudança e a aceitar o diferente. Exige reconhecer que somos seres condicionados, somos assumidamente inconclusivos. Embora sejamos inacabados podemos ir além, pois somos condicionados à nossa herança genética, bem como ao que herdamos social, cultural e historicamente. A educação está fundamentada num processo contínuo de aprendizagem.

Ensinar exige respeito a autonomia do educando, à sua dignidade e identidade. Isso é “um imperativo ético e qualquer desvio nesse sentido é uma transgressão”. O autoritarismo e a licenciosidade são transgressões sérias da ética. Ao ensinar o professor deve respeitar a curiosidade, gosto e diferenças do educando, embora seja seu dever propor limites a essa liberdade que o aluno possui e não eximir-se a disso. Uma prática educativa eficaz exige bom senso. Isso vai ajudar na tomada de decisões sobre o que devemos ou não fazer.

O professor deve lutar pelos seus direitos fazendo-o, porém, com humildade e tolerância tendo como objetivo manter o respeito entre o educador e o educando.

Ensinar exige apreensão da realidade, ou seja, é necessário que o educador conheça diferentes dimensões da prática educativa para que ele se sinta seguro e apresente um bom desempenho em sala de aula.

Ensinar exige alegria e esperança. Paulo Freire faz alusão à esperança de que o professor e aluno podem aprender, ensinar e inquietar-se produzindo e juntos resistir aos obstáculos. Isto ocorre porque o ser humano é um ser naturalmente esperançoso. A esperança critica é indispensavel a experiência histórica e só acontece quando há a problematização do futuro. Um futuro não determinado, mas que pode ser mudado diante do contexto em que está inserido.

Ensinar exige a convicção de que a mudança é possivel através da programação da nossa ação politico-pedagógica, não importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, mas que o educador tenha uma leitura de mundo e seja capaz de modificar o contexto em que vive.

Ensinar exige curiosidade, ou seja, o educador deve ter uma postura dialógica, aberta, reflexiva, de pesquisador, estimulando o educando a imaginação, a intuição, as emoções, desenvolvendo o seu olhar critico.

Nesse livro, Freire nos chama a atenção para a competência profissional no ensinar na didática e da necessidade de uma prática educativa plena. E tudo isso ocorre na medida em que o professor segue o que acredita e se compromete verdadeiramente com a aprendizagem.

Nos chama a tenção também quando ressalta a importância da liberdade de escolha de seus alunos, mas uma liberdade que seja responsável. A liberdade amadurece o sujeito e é indispensável na educação e na vida. E a tomada de decisões acontece de modo consciente.

Ensinar exige saber escutar.  É o processo da fala e da escuta que podemos mudar nossas opiniões, nos discursos diante dos fatos da realidade. O professor deve respeitar a leitura de mundo do educando, escutando-o. Portanto o papel do professor não é apenas transmitir conteúdo, é ajudar o aluno a reconhecer-se como arquiteto da sua prática cognoscitivo, o professor precisa ensinar o aluno a ouvir, a falar e a ser ouvido.

Ensinar exige saber que a educação é ideológica. A ideologia apresenta um papel importante no desempenho da ação docente, ela tem o poder de nos deixar "míopes", aceitamos tudo que é estabelecido, como verdades.

Ensinar exige disponibilidade  para o diálogo. A prática docente deve  estar aberta ao mundo e aos outros, aberta ao mundo permite o diálogo em que se confirma com as inquietações e a curiosidade. O professor precisa conhecer o local de trabalho e a situação social e econômica dos alunos. Quanto aos meios de comunicação, o educador precisa ter consciência critica,  podendo  utilizar a televisão para discutir seus temas, conteúdos, mas estar sempre atento à ideologia da comunicação.

Ensinar exige querer bem aos educandos. Querer bem aos alunos e a prática educativa que participo, o professor deve ter uma relação afetiva e solidária. A afetividade é uma disposição alegria de viver e o professor lida com pessoas que possui sentimentos, emoções, sonhos e esperanças e é, por esse motivo, que a prática educativa não deve ser fria e estritamente  intelectual.

Enfim, Pedagogia da Autonomia é um livro diretivo, prático e sério nas suas indagações e nos auxilia, como futuros educadores, no desenvolvimento de uma prática consciente e consistente diante das problemáticas que podem surgir.

A escola

Escola é....

O  lugar onde se faz amigos

não  se trata só de prédios,salas,quadros,

programas,horários,conceitos...

Escola é,sobretudo,gente,

Gente que trabalha,que  estuda,

Que se alegra,se conhece,se estima.

O diretor é gente,

O coordenador é gente,o professor é gente,

O aluno é gente,

Cada funcionário é  gente.

E a escola será cada vez melhor

 Na medida em que  cada um

Se comporte como colega,amigo,irmão.

Nada de ilha cercada de gente por todos os lados.

Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir

Que não tem amizade a ninguém

Nada de ser como o tijolo que forma a parede,

Indiferente,frio,só

Importante  na escola não é só estudar,não é só trabalhar,

É também criar laços de amizade,

É criar ambiente de  camaradagem,

É conviver,é se  amarrar nela!

Ora ,é lógico...

Numa escola assim vai ser fácil

Estudar,trabalhar,crescer,

Fazer amigos,educar-se ,ser feliz.´´

                                                         (Paulo Freire)

                                                               

Referência Bibliografica: Freire,Paulo.Pedagogia da autonomia:saberes necessários á prática educativa-45º ed.-Rio de Janeiro:Paz e Terra,2013.



Equipe:

Cláudia Moreira
Juanita Luciano Santos
Maísa Lopes
Marina Quirino
Sandra Santos da Cruz Silva

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